Deu no Conversa Afiada: “Ela é a favor de matar criancinhas”. A inesquecível campanha de 2010

18 nov

Palmério Dória e Mylton Severiano escreveram “Crime de Imprensa – um retrato da mídia brasileira murdoquizada”, pela Editora Plena, com prefácio de Lima Barreto ( !).


Trata-se de uma afiada e divertida reconstituição do Golpismo “murdoquiano” da “imprensa nativa”, como diz o Mino Carta, autor da epígrafe do livro:

“Na maioria dos casos, a midia é ponta-de-lança para grandes negócios.”

(Como se sabe, aqui “midia” se trata de PiG (*).)

Vamos reproduzir aqui algumas frases – é a primeira prestação dessa notável antologia – que Doria e Severiano recuperam e que indicam os crimes ou a defesa de interesses negociais – como se quiser:

– Diogo Mainardi ao reproduzir conversa com Padim Pade Cerra:

Marina é a companheira de chapa de seus sonhos.

– Merval Pereira ao consul americano:

Aécio está “firmemente comprometido” com a chapa puro sangue: ser vice do Cerra.

– Paulo Henrique Amorim:

O Vesgo do Pânico tem mais chance de ser presidente que o Cerra.

– Aácio sobre quem deveria ser  a vice do Cerra:

“A Ana Hickman”, mestre de cerimônias da convenção do PSDprê.

– Oscar Quiroga, astrólogo do Estadao:

“… seria tolice não arriscar que José Serra será o próximo Presidente”

– Jaqueline Roriz, ao lado de Jose Arruda, diante de um “pagador”:

“Você vê a possibilidade de aumentar isso ?”

– Eliane Catanhêde, na convenção do PSDB:

“O PSDB parece até que virou partido de massa, mas uma massa cheirosa.”

– William Waack, ao perceber um áudio com a voz de Dilma Rousseff:

“Manda calá a boca”.

– Alexandre Garcia sobre a candidatura de Arruda como vice do Cerra:

“Vote num careca e leve dois.”

– Clovis Rossi sobre a morte do brasileiro Jean Charles, em Londres:

“É justo dizer que no revólver que matou Jean Charles estão também as digitais do PT e de seu governo…”

– Heleno de Freitas, editor do Estadão, ao explicar por que a Agência Estado divulgou com detalhes noticia de que Cerra tinha ido a um comício em Palmas, Tocantins, embora Cerra não tivesse posto o pé lá:

“Era uma matéria de prateleira”

– Fátima Bernardes ao anunciar o ataque com bolinha de papel à cabeça do Cerra:

“A atividade (sic) de campanha do candidato do PSDB José Serra foi interrompida hoje no Rio depois que ele foi agredido num tumulto iniciado por militantes do PT”.

– Mônica Cerra, no dia 14 de setembro, um mês antes da eleição, em Nova Iguaçu, Rio, acompanhada de Índio da Costa:

“Sou a mulher do Serra e vim pedir o seu voto”

A um leitor evangélico que dizia “Jesus Cristo foi o único homem que prestou no mundo”, Mônica falou que Dilma é a favor do aborto:

“Ela (a Dilma) é a favor de matar criancinhas.”

Esta notável antologia continuará, pelas mãos de Dória e Severiano, em outros retumbantes capítulos.

Paulo Henrique Amorim
 

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

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